Em pleno século 21, os sete pecados capitais – uma invenção católica da Idade Média – parecem totalmente fora de moda, certo? Errado. O mundo se modernizou, mas a gente permanece à sombra do velho sentimento de culpa
Texto • Lívia Filadelfo


Ir ao shopping para fazer compras, almoçar ou simplesmente dar uma volta e olhar as vitrines. Que pecado pode haver nisso? Em pleno século 21, essa é uma rotina comum, que faz parte do cotidiano da população. Mas para a doutrina católica bem tradicional, fazer um passeio pelo shopping não é um hábito tão inocente assim: meia hora dentro de um centro de compras pode ser o suficiente para cometer todos os sete pecados capitais.
Logo de cara, ela, a vaidade. Roupas, acessórios, sapatos, produtos de beleza, tudo estimula a vontade de melhorar o visual. Por todos os lados, pôsteres e fotos de lindos modelos. Quem não gostaria de ser tão belo e usar roupas tão boas e caras quanto as deles? Sim, outro pecado: a inveja. Ao comprar aquele terno impecável ou a bolsa caríssima daquela marca famosa, mais uma falta grave: a soberba.
Isso sem contar os momentos de verdadeira ira por causa do estacionamento lotado e da falta de educação alheia na hora de parar o carro, ou a preguiça que dá na hora de subir e descer escadas, o que leva muitos a optar por elevadores e escadas rolantes. Por fim, ainda nos deparamos com a praça de alimentação, verdadeiro templo da gula, enquanto as lojas de lingerie nos convidam à luxúria.
Os sete pecados descritos acima foram definidos pela Igreja Católica séculos atrás, na tentativa de regular e normatizar a vida em sociedade e a conduta dos indivíduos. Mas, por mais ultrapassados e distantes da vida moderna que possam parecer, eles ainda estão presentes por trás dos conceitos morais de nossa sociedade. Afinal, o que sentimos quando comemos em excesso, passamos horas morrendo de preguiça, quando somos avarentos, invejosos, orgulhosos ou perdemos o controle em um acesso de raiva? Culpa, claro.
Na sociedade medieval, a Igreja Católica controlava os indivíduos segundo perspectivas econômica e moral. E, para isso, criou os sete pecados capitais. Hoje, ela não exerce mais esse papel de regulador da sociedade. Os conceitos do que é bom ou mal, certo e errado mudaram bastante com o capitalismo e o advento do consumismo. “Apesar de as pessoas não seguirem mais as diretrizes eclesiais, a sociedade ocidental, fortemente marcada pela tradição judaico-cristã, carrega a herança dos instrumentos de culpabilização empregados ao longo de muito tempo pela Igreja. A culpa está arraigada no comportamento da sociedade”, explica Rafael Rodrigues Silva, professor de Teologia da PUC-SP.
Um livro surpreendente que nos mostra como o pecado e o sentimento de culpa foram inventados.
Além disso, recolhe no Espiritismo idéias para que possamos superar essas noções equivocadas e construir uma vida mais autônoma e feliz.
Enquanto houver uma pessoa refém da culpa, haverá alguém cobrando para libertá-la" - Terezinha Colle.



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